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Patricia Lages

Pela primeira vez, maioria dos brasileiros deixa de ser considerada leitora

Apesar do amplo acesso a livros, inclusive gratuitos, mais da metade da população não leu um único livro em três meses

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil revela que 53% dos brasileiros não são considerados leitores, mesmo com critérios generosos.
  • A leitura profunda, essencial para o desenvolvimento cognitivo, está em declínio, impactando o pensamento crítico e a compreensão.
  • O hábito de leitura pode ser recuperado com práticas simples, como escolher livros curtos e criar uma rotina de leitura.
  • Existem várias opções de acesso gratuito a livros, como bibliotecas públicas e digitais, além de iniciativas como "gelotecas".

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Ao deixar de ler livros, perde-se atenção, vocabulário, raciocínio crítico e o poder de compreender o que acontece ao redor Imagem gerada por IA

A sexta edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil estabelece um marco preocupante: 53% dos brasileiros são, oficialmente, não leitores. Apenas nos últimos quatro anos, o país perdeu cerca de 6,7 milhões de leitores.

Se os dados até aqui impressionam, a perplexidade aumenta diante da metodologia adotada na pesquisa: bastava ter lido apenas parte de um único livro, físico ou digital, para entrar na categoria de leitor.


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Mas, mesmo com essa régua generosa, mais da metade da população ficou de fora. E quando o critério é a leitura completa de uma obra, o quadro piora: apenas 27% dos entrevistados haviam concluído a leitura de pelo menos um livro no período.

O que está em jogo não é apenas uma estatística, mas o desenvolvimento cognitivo de um país. A neurocientista Maryanne Wolf, autora de O Cérebro Leitor e O Cérebro no Mundo Digital, afirma que o cérebro humano não nasceu programado para ler e que, para desenvolver a habilidade, é preciso construir ao longo da vida um circuito da leitura, isto é, uma rede neural que integra visão, linguagem, memória e raciocínio.


E um ponto importantíssimo da pesquisa da autora é que esse circuito se fortalece com a prática e se atrofia com o abandono. Quanto mais uma pessoa lê, mais ela desenvolve o que Wolf chama de leitura profunda, que a torna capaz de analisar, tirar conclusões, comparar pontos de vista e sentir empatia pelo outro através da narrativa.

Por outro lado, a neurocientista alerta que o hábito de rolar telas, típico do ambiente digital, promove apenas uma leitura superficial, entrecortada e sem conexão entre o conteúdo anterior e o próximo. Isso compromete justamente a camada mais elaborada do pensamento.


Na minha percepção, fica cada vez mais patente que tudo o que requer um pouco mais de concentração e análise não é compreendido por grande parte das pessoas.

Esse enfraquecimento da leitura profunda ajuda a formar leitores de manchete: pessoas mais suscetíveis a aceitar uma conclusão pronta, sem checá-la. Afinal, como vimos, é justamente a capacidade de analisar e comparar pontos de vista que se perde quando o cérebro deixa de praticar a leitura completa. E essa é a mesma capacidade que protege alguém de um título construído para induzir a uma interpretação enviesada.


Ao deixar de ler livros, as pessoas perdem o treino da atenção sustentada, empobrecem o vocabulário e o raciocínio crítico e deixam de compreender o que acontece ao seu redor.

E esse conjunto de perdas tem efeito coletivo, pois uma população que lê menos tende a debater com menos profundidade, a ser mais vulnerável à desinformação e a produzir menos inovação, já que a leitura é insumo direto para criatividade e resolução de problemas.

Mas a boa notícia é que reverter essa realidade é possível e está ao alcance de todos. Há diversas formas de incluir a leitura no seu dia a dia e de ler livros físicos e digitais gratuitamente.

Inclua a leitura no seu dia a dia

Para adquirir ou voltar ao hábito da leitura, aqui vão algumas dicas.

Por onde começar – preferencialmente com livros curtos e de temas que sejam do seu interesse. Não se prenda aos “clássicos obrigatórios”, pois o grande prazer de ler está justamente na liberdade de escolha.

Crie a sua rotina – seja reservando um horário fixo ou aproveitando intervalos ao longo do dia, como filas de espera, durante o transporte ou na hora do almoço. O importante é transformar a leitura em hábito, não em exceção.

Tenha um livro sempre à mão – ainda que pareça que você não terá tempo de ler, a chance pode aparecer em diversos momentos do dia. Deixar um livro à vista (na bolsa, na mesa, no carro) fará a diferença entre aproveitar esses momentos ou desperdiçá-los.

Leia gratuitamente livros físicos e digitais

Mapeie as bibliotecas públicas próximas à sua casa, trabalho ou que estejam dentro dos seus trajetos habituais. Basta fazer uma carteirinha com documento de identidade e comprovante de residência para pegar livros emprestados.

Pesquise as “gelotecas”, disponíveis em algumas estações de metrô, parques e praças. Nesses locais é possível deixar um livro e pegar outro.

Encontre milhares de livros em bibliotecas digitais como BibliON, MEC Livros e Baixe livros.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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